suavemente, traça um caminho incerto sob minha pele que agora queima com seu toque delicado. conheço as mãos que me definem, que vão me descobrindo num pecado sútil de amantes desesperados. basta um toque, e meus lábios procuram o seus com desejo ardente. deixo de ser eu para te ser inteira. já agora sou minha própria vontade de te amar por inteiro, devorando vorazmente cada pedaço seu. sinto queimar todo meu oxigênio nesse prazer incontrolável. é a loucura que me percorre e vai, aos poucos, rompendo meus laços com a realidade, me fazendo acreditar nos sonhos escritos de tantos livros, repetidos nas noites insones. é esse calor que suas mãos emanam. mãos macias que brincam pela minha pele e que, de súbito, me prendem e me arrastam impetuosamente pra perto de outro corpo quente, imediatamente reconhecido pelos meus sentidos. são corpos que se pertencem, estes que agora se entrelaçam e fervilham sentimentos. a doçura da sua respiração me embriaga e me obriga a senti-la cada vez mais perto. e é no encontro das nossas bocas que minhas perguntas são todas respondidas. e é sempre num movimento lento que me faz perder todo o fôlego. um sussuro quebra o total frenesi em que me encontro pra me lembrar do motivo de estar alí. eu te amo, você me diz. não resisto a sua voz chamuscando vontades tão reciprocas. me agarro aos seus cabelos desfeitos, e paro um intante pra olhar no fogaréu que crepita do seu olhar, percebo então nossa nudez entregue. vejo uma forma de mulher, e reconheço nela a metade de mim. seios pequeninos e levemente arrebitados. o cabelo caí em cachos se distribuindo pela sua pele perfeitamente macia. na pouca luz ambiente só percebo que aqueles olhos avelã se entregavam pra mim, e imploravam que eu possuisse seu corpo tanto quanto já possuia sua alma...
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